O Brasil venceu a Austrália por 4 a 2 nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, no Suncorp Stadium, em Brisbane, e encerrou a Data Fifa com o primeiro triunfo depois da Copa do Mundo de 2026. Mais do que o placar, a partida apresentou uma mudança importante na estrutura da Seleção: Carlo Ancelotti deixou de lado a formação com quatro atacantes utilizada no empate por 1 a 1 e apostou no 4-3-3.
A alteração colocou Gabriel Bontempo, Bruno Guimarães e Danilo no meio-campo, aumentando a presença brasileira no setor central. A equipe passou a ter mais opções para construir as jogadas e também encontrou caminhos para aproximar os meio-campistas dos homens de frente. O resultado foi uma atuação mais móvel, embora ainda marcada por oscilações que impediram uma avaliação totalmente positiva.
O que mudou com o 4-3-3 de Ancelotti
No primeiro duelo contra os australianos, o Brasil teve uma estrutura mais agressiva no papel, mas com menor ocupação do meio-campo. Em Brisbane, Ancelotti buscou equilibrar a equipe com três jogadores por dentro. A escolha deu mais liberdade para os meio-campistas participarem da construção e das infiltrações, reduzindo a dependência de jogadas individuais dos atacantes.
A própria dinâmica dos gols ajuda a explicar essa evolução. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol, Vanderson abriu o placar após uma jogada construída por Rayan e Gabriel Bontempo. Bruno Guimarães marcou depois de uma movimentação que envolveu Danilo, Vinícius Júnior e Endrick, enquanto Vinícius fechou a conta em cobrança de pênalti sofrido em uma ação individual.
A participação de atletas de setores diferentes indica uma equipe menos concentrada em um único corredor de ataque. O meio-campo apareceu na criação e na chegada à área, os jovens tiveram espaço para interferir no jogo e os jogadores mais experientes ajudaram a dar continuidade às ações ofensivas. Ainda assim, o 4-3-3 não funcionou como uma solução automática para todos os problemas.
Vantagem construída, reação australiana e alerta defensivo
O Brasil abriu vantagem, mas permitiu a reação da Austrália, que chegou a virar o placar para 2 a 1. A sequência expôs dificuldades que continuam presentes no início do ciclo de Ancelotti, especialmente nas bolas aéreas, nas saídas do goleiro e no controle defensivo depois da perda da posse.
A leitura feita pelo UOL Esporte também aponta para um jogo aberto e de muitas alternâncias. A capacidade de reagir e voltar a controlar o placar é um aspecto positivo, mas a vulnerabilidade apresentada diante de uma equipe que conseguiu explorar os espaços impede que a vitória seja tratada como uma confirmação de que todos os problemas foram resolvidos.
Esse equilíbrio entre evolução e alerta é importante porque os amistosos fazem parte de um período de renovação. O treinador ainda testa combinações, observa jogadores jovens e procura definir quais características devem formar a Seleção nos próximos anos. Um meio-campo mais preenchido pode ser uma das bases desse processo, desde que a equipe consiga proteger melhor a própria área e manter concentração quando estiver em vantagem.
Jovens ganham espaço no novo ciclo da Seleção
Rayan, Gabriel Bontempo, Endrick e outros atletas em avaliação participaram de uma partida que serviu como laboratório para a equipe brasileira. A atuação de Bontempo na construção do primeiro gol e a participação de diferentes setores nas jogadas ofensivas reforçam a ideia de que Ancelotti busca ampliar o repertório da Seleção, em vez de depender apenas de nomes já consolidados.
Em conteúdo publicado pela CBF, o treinador indicou que a prioridade é construir uma nova geração de jogadores para acompanhar a equipe no futuro próximo. A preparação mencionada inclui o ciclo até a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030, o que torna cada amistoso relevante para observar alternativas.
O próximo compromisso informado pelas fontes é contra a Índia, em 3 de outubro de 2026, em Calcutá. Até lá, a principal conclusão de Brisbane é objetiva: o Brasil 4 x 2 Austrália mostrou que o 4-3-3 pode oferecer mais equilíbrio e participação no meio-campo, mas a Seleção ainda precisa transformar essa melhora ofensiva em consistência defensiva.
