Yuri Silva Portela, Dr. pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, trata a comunicação acessível como competência clínica fundamental no cuidado ao idoso. No entanto, existe uma forma de exclusão no campo da saúde raramente reconhecida como tal: a exclusão pela linguagem. Isso acontece quando um médico explica um diagnóstico usando terminologia técnica que o paciente não compreende, quando uma bula é escrita para profissionais e não para quem vai tomar o medicamento. Nesses casos, o sistema de saúde está falhando de uma forma que nenhum equipamento sofisticado compensa.
Ao longo deste artigo, você vai entender como a barreira linguística compromete o cuidado e o que pode ser feito. Leia a seguir e saiba mais!
Como o vocabulário médico cria distância entre o idoso e sua própria saúde?
A medicina desenvolveu uma linguagem especializada que serve a propósitos legítimos entre profissionais. O problema começa quando essa linguagem migra sem tradução para a comunicação com os pacientes. Termos precisos do ponto de vista técnico são opacos para o paciente, que precisa conviver com suas condições e gerenciá-las no cotidiano sem formação especializada.
Yuri Silva Portela pontua que a incompreensão das orientações médicas é uma das principais causas de não adesão ao tratamento em idosos, especialmente naqueles com menor escolaridade. O idoso que não entendeu para que serve o medicamento ou que saiu da consulta sem clareza sobre quando deve retornar vai seguir as orientações de forma incompleta não por descuido, mas por ausência de compreensão genuína.
Nas comunidades do sertão de Quixadá atendidas pelo Humaniza Sertão, essa barreira é especialmente presente. Nessa realidade, muitos idosos têm baixa escolaridade formal e uma relação com o vocabulário médico marcada por distância. Diante disso, a equipe do projeto desenvolve suas comunicações com atenção deliberada à acessibilidade linguística em cada atendimento realizado.
Quais estratégias tornam a comunicação médica realmente acessível?
A primeira estratégia é a mais simples e a menos praticada: verificar se o paciente entendeu de verdade. Não perguntar se tem dúvidas, porque a resposta habitual é não, mesmo quando há. Na prática, pedir que ele explique com suas próprias palavras o que compreendeu sobre o diagnóstico e o tratamento revela imediatamente onde a comunicação falhou.

Na perspectiva do doutor Yuri Silva Portela, o uso de analogias do cotidiano transforma a compreensão de conceitos médicos abstratos. Dessa forma, explicar que o coração é uma bomba que precisa de pressão adequada para funcionar ou que o osso precisa de material de construção para se manter firme são simplificações que preservam a essência do conceito e tornam a informação acionável para quem não tem formação técnica.
Como o Humaniza Sertão pratica a comunicação acessível?
Cada especialidade do Humaniza Sertão desenvolveu sua versão de comunicação adaptada. As orientações nutricionais usam alimentos locais como referência. As recomendações de fisioterapia são demonstradas com o próprio corpo do paciente. As orientações jurídicas partem de situações concretas da vida das famílias atendidas.
Como destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, Yuri Silva Portela, comunicação acessível não é condescendência. É respeito pela inteligência do paciente e reconhecimento de que sua formação não incluiu terminologia médica, o que não diminui sua capacidade de tomar decisões informadas quando as informações chegam de forma adequada.
A linguagem certa é parte do tratamento
O doutor Yuri Silva Portela acredita que uma informação não compreendida não é uma informação transmitida. Ao conversar sobre saúde com o idoso que você ama, use palavras simples e confirme que ele entendeu. Essa adaptação é um ato de cuidado que o vocabulário médico convencional raramente oferece.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
