Contrato renovado antes do Mundial e falas do próprio treinador indicam continuidade, mesmo após a pior campanha do Brasil em Copas desde 1990.
A queda precoce do Brasil na Copa do Mundo de 2026, eliminado pela Noruega ainda nas oitavas de final, levantou uma dúvida imediata entre os torcedores: Carlo Ancelotti perderia o cargo após o pior resultado brasileiro em um Mundial em 36 anos? A resposta, segundo a própria CBF, é não. Rodrigo Caetano, diretor executivo de seleções da entidade, garantiu que o técnico italiano seguirá no comando da Seleção Brasileira até a Copa do Mundo de 2030, mantendo o planejamento definido meses antes do início do torneio. Exame
Entender por que a CBF optou pela continuidade, mesmo diante de um resultado abaixo do esperado, exige olhar para os detalhes contratuais da renovação, para as próprias declarações de Ancelotti sobre o momento e para os desafios que o próximo ciclo já coloca na mesa.
Por que a CBF decidiu manter Ancelotti mesmo após a eliminação
A permanência do treinador não foi uma decisão tomada às pressas depois da derrota. A entidade havia renovado o contrato de Ancelotti até julho de 2030 antes mesmo do início da Copa do Mundo, o que já sinalizava a intenção de dar continuidade ao projeto independentemente do resultado no Mundial. Segundo apuração do jornalista Diogo Dantas, o italiano segue recebendo 10 milhões de euros por ano, o equivalente a cerca de R$ 59,3 milhões anuais, valor definido desde sua chegada à Seleção em maio de 2025. A única alteração prática após a eliminação foi a perda de um bônus de 5 milhões de euros que estava previsto em contrato caso o Brasil conquistasse o título mundial. Goal.com BrasilTerra
A renovação não se limitou ao técnico principal. Os auxiliares Paul Clement, Francisco Mauri, Mino Fulco e Simone Montanaro tiveram os vínculos prorrogados e receberam reajustes salariais, o que reforça a intenção da CBF de manter a mesma estrutura de trabalho para o próximo ciclo. Nos bastidores, a avaliação da entidade é de que interromper o projeto agora significaria recomeçar mais uma reconstrução, cenário que a direção da CBF vem tentando evitar depois de anos de trocas frequentes no comando técnico da Seleção. Terra
O que Ancelotti disse sobre o futuro da Seleção
A reação do próprio treinador ao resultado chamou atenção pela forma como foi conduzida. Ancelotti não concedeu a tradicional entrevista coletiva imediatamente após a derrota; quem falou primeiro à imprensa foi seu filho e auxiliar técnico, Davide Ancelotti. Mais tarde, o italiano se manifestou nas redes sociais, escrevendo que a dor do momento era grande, mas que a confiança no trabalho que vinha sendo construído não mudava.
Na entrevista coletiva que aconteceu na sequência, Ancelotti tratou a eliminação como um ponto de virada, não como um fim de trabalho. Segundo ele, uma derrota como essa deve ser encarada como “o começo de uma nova aventura”, com a Seleção já contando com uma base sólida de jovens e veteranos para seguir em frente. O treinador também reconheceu não saber como a torcida vai reagir ao resultado, mas afirmou que o caminho da comissão técnica será seguir trabalhando e buscando ajustes, avaliação que ele mesmo definiu como parte natural do futebol de alto rendimento. CNN Brasil
Os desafios do próximo ciclo até a Copa de 2030
O tamanho do desafio pela frente fica mais claro quando se olha para os números. A campanha de 2026 foi a pior do Brasil em Copas desde 1990, quando a Seleção também caiu nas oitavas de final, na ocasião diante da Argentina, e o país chegará a 2030 com 28 anos sem levantar uma taça mundial, o maior intervalo de sua história. A missão de Ancelotti, portanto, não é apenas recompor o time tecnicamente, mas também lidar com a pressão simbólica de um jejum que só cresce. CNN Brasil
O planejamento para o próximo ciclo já foi iniciado, com o técnico sinalizando a intenção de mesclar a base atual de jogadores experientes com novos nomes que devem surgir ao longo dos próximos quatro anos. A Copa do Mundo de 2030 terá formato especial, celebrando o centenário do torneio com sede dividida entre Marrocos, Portugal e Espanha, o que também deve trazer desafios logísticos distintos dos vividos neste Mundial norte-americano. Para a CBF, a aposta é clara: dar estabilidade ao trabalho, mesmo que o preço, no curto prazo, seja conviver com as críticas da eliminação precoce.
Fontes: Exame | Goal.com Brasil | CNN Brasil | Terra
