O BIM deixou de ser novidade e passou a ser exigência de quem quer previsibilidade na construção. De acordo com Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, a modelagem reúne arquitetura, estrutura e instalações em um único modelo digital, o que muda a rotina de planejamento. Assim sendo, o ganho real surge quando o problema aparece na tela do computador, e não no meio das obras, quando corrigir custa caro.
Retrabalho, atrasos e orçamentos estourados nascem, na maioria das vezes, de projetos que não conversam entre si. O BIM resolve esse ruído ao cruzar as disciplinas antes da execução. Dessa maneira, o caminho passa pela compatibilização de projetos, pelos custos escondidos no canteiro e por uma implantação bem planejada. Com isso em mente, a seguir, detalharemos o que muda quando o projeto vira um modelo inteligente.
O que é o BIM e por que ele muda o ritmo das obras?
O BIM é a sigla em inglês para “modelagem da informação da construção”. Na prática, cada elemento do edifício, como parede, viga ou tubulação, ganha forma tridimensional e carrega dados de material, dimensão e custo. Conforme destaca Guilherme Campos, diferente do desenho em duas dimensões, o modelo funciona como um banco de informações vivo, que todos os profissionais consultam e atualizam durante o projeto.
Essa lógica altera o ritmo do canteiro. Afinal, quando as decisões saem do improviso e passam a ser tomadas com base em dados, a equipe ganha tempo para planejar compras, sequenciar etapas e dimensionar mão de obra. Com isso, o resultado é uma execução mais previsível, com menos paradas para esclarecer dúvidas de projeto, ressalta o desenvolvedor imobiliário, Guilherme Campos.
Como a modelagem compatibiliza projetos e antecipa interferências?
A compatibilização consiste em sobrepor os projetos de cada disciplina no mesmo modelo e identificar conflitos automaticamente. Softwares de detecção de colisões varrem a construção virtual e apontam onde uma peça invade o espaço de outra. Esses conflitos, chamados de interferências, aparecem antes da obra começar. Entre os mais frequentes, estão os seguintes:
- Vigas e tubulações: dutos hidráulicos que atravessam elementos estruturais sem prévia autorização do projetista;
- Forros e climatização: equipamentos de ar-condicionado que não cabem na altura prevista para o pé-direito;
- Elétrica e alvenaria: eletrodutos que cruzam paredes em pontos onde não há espaço para passagem;
- Shafts e instalações: prumadas que disputam a mesma área, inviabilizando a manutenção futura.
Cada um desses conflitos, se descoberto no canteiro, exige quebra, improviso e nova medição. Todavia, resolver a mesma questão no modelo leva minutos e não gera desperdício de material. Por isso, as reuniões de compatibilização deixam de ser formalidade e viram o momento em que as equipes decidem juntas a melhor solução, comenta Guilherme Campos.

Onde o BIM reduz custos e evita desperdícios
O primeiro ganho vem do orçamento. Segundo o empreendedor Guilherme Campos, como o modelo guarda as quantidades de cada material, a extração de quantitativos ocorre de forma automática e com margem de erro menor que a do levantamento manual. Isso melhora a cotação com fornecedores, reduz sobras e evita pedidos emergenciais, que normalmente chegam com preço acima do praticado no mercado.
O segundo ganho está no cronograma. A simulação das etapas permite testar a sequência de execução e perceber gargalos antes que eles parem a frente de serviço. Assim sendo, obras que antecipam essas decisões ganham duas vezes: evitam o custo da correção e preservam o prazo combinado com o cliente.
Como implantar o BIM sem travar o andamento do projeto?
A implantação funciona melhor quando começa por um projeto piloto, de preferência com escopo controlado. A equipe define o nível de detalhamento necessário, escolhe a plataforma de colaboração e estabelece regras claras de nomenclatura e entrega. Conforme enfatiza Guilherme Campos, sem esse alinhamento, o modelo se torna apenas um desenho bonito, e o ganho de produtividade não aparece.
O investimento em capacitação também pesa. Projetistas, engenheiros e mestres de obras precisam entender o que o modelo entrega e como consultá-lo no dia a dia. Logo, quando o time domina a ferramenta, o BIM deixa de ser um departamento à parte e passa a orientar cada decisão tomada nas obras, do projeto à entrega das chaves.
Planejar no digital para então construir
Em conclusão, o BIM reduz erros porque transfere o conflito do canteiro para a tela, e reduz custos porque o retrabalho deixa de existir. Dessa maneira, a modelagem não substitui o raciocínio técnico, mas dá a ele um terreno seguro para decidir. Assim, quem investe nesse processo constrói com menos surpresas e entrega com mais margem. Interessado em saber mais sobre o tema? Não deixe de seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram!
