Paulo Roberto Gomes Fernandes relata que, em 2018, o Turcomenistão concluiu a maior usina de geração de energia elétrica de sua história, dando um passo estratégico para diversificar suas exportações e reduzir a dependência exclusiva do gás natural. A iniciativa fez parte de um movimento mais amplo do país da Ásia Central para ampliar receitas em moeda forte após os impactos negativos provocados pela queda nos preços internacionais dos hidrocarbonetos.
Detentor de uma das maiores reservas de gás natural do mundo, o Turcomenistão passou a direcionar esforços para agregar valor à sua matriz energética, combinando a exportação de gás com a oferta de eletricidade. Esse redesenho da estratégia energética chamou a atenção de empresas internacionais de engenharia, entre elas a brasileira Liderroll, liderada por Paulo Roberto Gomes Fernandes, que já acompanhava projetos estruturantes na região desde a fase inicial de estudos.
Integração energética com o Paquistão ganha força
Além de manter fornecimento para mercados já atendidos, o governo turcomeno passou a mirar o Paquistão como um novo e relevante destino tanto para o gás quanto para a energia elétrica. Para viabilizar essa integração, foi planejada a construção de uma linha de transmissão de alta tensão atravessando o Afeganistão, acompanhando, em parte, o mesmo corredor logístico do gasoduto em implantação entre os países.
Essa estratégia buscava criar sinergia entre os projetos energéticos, reduzindo custos operacionais e consolidando um eixo de exportação capaz de atender à crescente demanda paquistanesa por energia mais estável e acessível. Segundo análises técnicas acompanhadas por Paulo Roberto Gomes Fernandes, a adoção de soluções integradas seria decisiva para viabilizar o cronograma e os investimentos previstos.
Desafios de engenharia em regiões montanhosas
A execução desses projetos impôs desafios técnicos relevantes. O traçado do gasoduto e da futura linha de transmissão atravessa regiões montanhosas extensas, com condições geográficas complexas e restrições ambientais severas. As alternativas tradicionais, como contornar cadeias de montanhas por longos trechos ou instalar tubulações aparentes em aclives extremos, implicariam aumento significativo de custos, prazos e riscos operacionais.

Nesse contexto, soluções de engenharia voltadas ao cruzamento de túneis e à instalação de dutos em ambientes confinados passaram a ser consideradas como opções tecnicamente mais seguras e economicamente viáveis. Esse foi justamente o campo em que Paulo Roberto Gomes Fernandes passou a contribuir de forma mais direta, a partir da experiência acumulada em projetos semelhantes executados fora do Brasil.
Contribuição técnica brasileira no planejamento
Durante a fase de estudos e concepção do gasoduto, a empresa brasileira Liderroll participou oferecendo consultoria técnica relacionada ao uso de tecnologias específicas para lançamento de dutos em túneis. A contribuição concentrou-se nos trechos de maior complexidade geológica, onde a travessia subterrânea se apresentava como alternativa mais eficiente do que a construção em superfície.
A atuação técnica coordenada por Paulo Roberto Gomes Fernandes envolveu a avaliação de cenários construtivos, análise de riscos operacionais e sugestões de metodologias capazes de reduzir interferências ambientais e acelerar a execução das obras em áreas críticas.
Diversificação energética como estratégia econômica
O projeto de exportação conjunta de gás e eletricidade refletiu a tentativa do Turcomenistão de reposicionar sua política energética diante de um cenário internacional mais volátil. Ao ampliar sua presença regional e diversificar produtos e rotas, o país buscava maior estabilidade econômica e protagonismo geopolítico na Ásia Central.
Na avaliação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, iniciativas desse porte tendem a redefinir fluxos energéticos regionais e criar novas oportunidades para empresas com capacidade técnica comprovada em ambientes extremos. Em 2018, tanto o gasoduto quanto os planos de transmissão elétrica ainda estavam em fase de consolidação, mas já sinalizavam uma mudança estrutural na forma como o Turcomenistão pretendia explorar e monetizar seus vastos recursos energéticos.
Autor: Cowper Persol
